05/09/09

MICHAEL JACKSON RESISTE??

Agora que xa pasou un pouquiño a febre mediática pola morte de (e aproveito eiqui pra dicir o que opino sobre o que hai que opinar, que é sobre a súa música, e non sobre todo o demáis) unha das maiores figuras da música e icono do século XX, Michael Jackson, andaba eu a pensar cómo fará agora Gilberto Gil pra cantar o seu alegato anti-racista, "De Bob Dylan a Bob Marley - um samba provocaçao", cando dí aquelo de...


"Bob Marley morreu Porque além de negro era judeu
Michael Jackson ainda resiste Porque além de branco ficou triste"


Por desgraza, a presenza de Gilberto Gil no youtube e outras webs de música é moito menor que a de Jackson e moitos outros, razón pola que non consigo atopar ningún video do tema que vos poñer eiqui pra escoitar. Así pois, só podo facer dúas cousas, recomendarvos que a escoitedes se podedes:

Gilberto Gil - "De Bob Dylan a Bob Marley - um samba provocaçao".
Álbum: O Eterno Deus Mu Dança.
Tamén o podedes atopar no recopilatorio do artista en "The very best of Gilberto Gil. The soul of Brazil"


E deixarvos a súa letra-denuncia do racismo:

Quando Bob Dylan se tornou cristão Fez um disco de reggae por compensação
Abandonava o povo de Israel E a ele retornava pela contramão

Quando os povos d'África chegaram aqui Não tinham liberdade de religião
Adotaram Senhor do Bonfim: Tanto resistência, quanto rendição

Quando, hoje, alguns preferem condenar O sincretismo e a miscigenação
Parece que o fazem por ignorar Os modos caprichosos da paixão

Paixão, que habita o coração da natureza-mãe E que desloca a história em suas mutações
Que explica o fato da Branca de Neve amar Não a um, mas a todos os sete anões

Eu cá me ponho a meditar Pela mania da compreensão
Ainda hoje andei tentando decifrar Algo que li que estava escrito numa pichação
Que agora eu resolvi cantar Neste samba em forma de refrão:

"Bob Marley morreu Porque além de negro era judeu
Michael Jackson ainda resiste Porque além de branco ficou triste"



De todos xeitos, pra compensar, estou preparando un especial de Gilberto Gil para a primeira quincena de outubro (na que collo vacacións e non vos quero deixar sós sen blog :-D), con videos dos seus mellores temas, se San Youtube no-lo permite...

03/09/09

O JOGO DO XADREZ

De seguro que a lectura deste texto de Fernando Pessoa non vos deixa indiferentes.


O JOGO DO XADREZ

Ouvi contar que outrora, quando a Persia tinha não sei qual guerra,
quando a invasão ardia na Cidade e as mulheres gritavam,
dois jogadores de xadrez jogavam o seu jogo continuo.

Á sombra de ampla árvore fitavam o tabuleiro antigo,
e, ao lado de cada um, esperando os seus momentos mais folgados,
quando havía movido a pedra, e agora esperava o adversário,
um púcaro* con vinho refrescava sobriamente a sua sede.

Ardiam casas, saqueadas eram as arcas e as paredes,
violadas, as mulheres eram postas contra os muros caídos,
traspassadas de lanças, as crianças eram sangue nas ruas...
Mas onde estavam, perto da cidade, e longe do seu ruído,
os jogadores de xadrez jogavam o jogo do xadrez.

Inda que nas mensagens do ermo vento lhes viessem os gritos,
e, ao reflectir, soubessem desde a alma que por certo as mulheres
e as tenras filhas violadas eram nessa distancia próxima,

inda que no momento que o pensavam uma sombra ligeira
lhes passasse na fronte alheada e vaga,
breve os seus olhos calmos volvíam sua atenta confiança ao tabuleiro velho.

Quando o rei de marfim está em perigo,
que importa a carne e o osso das irmãs e das mães e das crianças?
quando a torre não cobre a retirada da rainha branca, o saque pouco importa.

E quando a mão confiada leva o xeque ao rei do adversário
pouco pensa na alma que lá longe estejam morrendo filhos,
mesmo que, de repente, sobre o muro surja a sanhuda face dum guerreiro invasor,
e breve deva em sangue ali cair o jogador solene de xadrez.

Caiam cidades, sofram povos, cesse a liberdade e a vida,
os haveres tranquilos e avitos ardem e que se arranquem,
mas quando a guerra os jogos interrompa, esteja o rei sem xeque,
e o de marfim peão mais avançado pronto a comprar a torre.

Meus irmãos em amarmos Epicuro e o entendermos
mais de acordo com nós-proprios que com ele,
aprendamos na história dos calmos jogadores de xadrez como pasar a vida.

Tudo o que é sério pouco nos importe, o grave pouco pese,
o natural impulso dos instintos que ceda ao inútil gozo
(sob a sombra tranquila do arvoredo) de jogar um bom jogo.

O que levamos desta vida inútil tanto vale se é
a glória, a fama, o amor, a ciência, a vida
como se fosse apenas a memória de um jogo bem jogado
e uma partida ganha a um jogador melhor.

A glória pesa como um fardo rico, a fama como a febre,
o amor cansa, porque é a sério e busca, a ciência nunca encontra,
e a vida passa e dói porque o conhece...
O jogo de xadrez prende a alma toda, mas, perdido,
pouco pesa, pois não é nada.

Ah! sob as sombras que sem querer nos amam,
com um púcaro de vinho ao lado,
e atentos só á inútil faina do jogo do xadrez
mesmo que o jogo seja apenas sonho e não haja parceiro,

imitemos os persas desta história e, enquanto lá fora,
ou perto ou longe, a guerra e a pátria e a vida chamam por nós,
deixemos que em vão nos chamem, cada um de nós
sob as sombras amigas sonhando, ele os parceiros, e o xadrez
a sua indiferença.



* púcaro: cunca.

(podedes ler aqui o poema orixinal de Pessoa)

02/09/09

ESTATÍSTICAS DO BLOG

Tiña intención de non interrumpir a publicación de artigos no blog durante este pasado mes de agosto, xa que levamos pouco máis de 2 meses de emisión e non é plan. Pero algo de "preocupación" a que baixara bastante o número de visitas sí que había, porque en agosto medio mundo marcha de vacacións, e o outro medio non está como pra andar todo o día conectado en internet.

Finalmente, vendo os datos de "audiencia", parece que "nosquedaportugal" e "alemdominho" aguantaron con dignidade o parón estival, e preparan con forzas un setembro que de seguro irá a máis.


O récord de audiencia corresponde ó 26 de xullo, cando o artigo de opinión "O día 25 e o galego" foi publicado en chuza.org, acadando un pico de máis de 300 visitas. Pero, agás ese dato puntual, durante o mes de agosto acadamos un nivel de visitas similar ó de xullo -o que xa ten mérito-, como se apreza nos datos analizados semana a semana:



Só nos queda agradecervos a vós, lectores, por seguirnos día a día. Nós pola nosa parte seguimos a facer o que podemos para seguir contando coa vosa audiencia: 19 artigos en agosto, e tentaremos manter o ritmo "mentras o corpo aguante"!!